Observatório para «vigiar» alimentação dos portugueses

Cinco mil e duzentos portugueses estão, desde outubro passado, a participar no Inquérito Alimentar Nacional e de Actividade Física (INAF).

Para além de serem pesados e medidos, os participantes também respondem a perguntas relacionadas com os seus hábitos alimentares e a forma como reagiram à crise, nomeadamente se a falta de dinheiro os levou a não consumir refeições, ou mesmo se deixou de comer para alimentar os filhos.

Este estudo científico, cujos primeiros resultados deverão ser divulgados em setembro de 2016 vai avaliar, pela primeira vez desde 1980, os hábitos alimentares e a condição física de mais de cinco mil portugueses entre os três meses e os 84 anos de idade.

Ao jornal Público, Pedro Graça, director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direcção-Geral da Saúde (DGS) defendeu que “este sistema ou observatório é fulcral e importantíssimo e até um instrumento de poupança para o país, porque permitiria monitorizar no terreno o impacto das medidas de saúde pública”.

Com mais de 30% das crianças portuguesas afetadas pelo excesso de peso e passados 30 anos desde o último grande inquérito aos comportamentos alimentares dos portugueses, Pedro Graça afirma que “desde então, temos estado de olhos vendados”.

O técnico da DGS refere, sublinha a importância do estudo afirmando que “no caso de querermos incentivar o consumo de um alimento porque há uma deficiência na população de determinado nutriente, ou se quisermos impor algumas restrições à circulação de um determinado produto, só podemos fazê-lo tendo por base uma informação de qualidade sobre os comportamentos alimentares da população. Não podemos sugerir um maior consumo de fruta, porque há um défice das vitaminas que a fruta fornece, se não soubermos se esse défice é real ou não.”

Financiado por fundos europeus o estudo está a ser desenvolvido por um consórcio que integra as universidades do Porto e de Lisboa, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e a Universidade de Oslo, na Noruega.

Além de abordar questões tão diversas como a forma de conservação dos alimentos na casa dos portugueses e o impacto das dificuldades socioeconómicas na alimentação, os responsáveis do estudo vão, por exemplo, medir o perímetro abdominal dos inquiridos e perguntar quantas horas passam as crianças a ver televisão ou ao computador e quem é que sobe as escadas em vez de usar o elevador.

Fonte: Público

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