“Níveis de obesidade nos adolescentes portugueses são preocupantes”

O alerta é de Margarida Gaspar de Matos, que coordena a parte portuguesa do trabalho realizado pela Organização Mundial de Saúde.

Na Europa, só a Grécia, a Macedónia, a Eslovénia e a Croácia apresentam valores mais negativos, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentado no passado dia 17 de maio, no Congresso Europeu de Obesidade, no Porto, e que compara 27 países e regiões.

O documento «Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014» mostra que a Grécia apresenta o valor mais elevado com Portugal, nos adolescentes entre os 11 e os 15 anos, a registarem 6,9% no caso dos rapazes e 3% no caso das raparigas.

Margarida Matos, psicóloga da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa que coordena a parte portuguesa do trabalho da OMS lembra que “quanto mais cedo a obesidade se instala mais difícil é combatê-la e mais se acumulam os efeitos prejudiciais para a saúde física, mental e social”.

João Breda, coordenador do Programa de Nutrição, Actividade Física e Obesidade da OMS/Europa realça “cerca de quatro em cada cinco adolescentes que se tornam obesos continuarão a ter problemas de peso na idade adulta”.

A crise

Margarida Matos lembra que o relatório da OMS não apresenta explicações para estas mudanças, mas a investigadora lembra que com a crise económica comer fruta ficou mais “caro do que um hambúrguer” e são conhecidos mais casos de crianças que se deitam sem comer por dificuldades económicas em casa.

Quanto aos vegetais, é revelado que só 28% dos adolescentes portugueses os comem diariamente, embora se registe positivamente o facto de nestes 12 anos ter acontecido uma queda significativa em Portugal no consumo de produtos como refrigerantes e doces.

Pedro Graça, diretor do programa de alimentação saudável, disse à TSF que a responsabilidade de comer bem não deve imputada apenas às escolas. “Este é o momento de as famílias também olharem para si próprias e questionarem-se até que ponto estão ou não a promover hábitos alimentares saudáveis”, desafia.

Foto de capa: YouTube
Foto na notícia: http://profabiofelix.blogspot.pt/

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