//Natal com bananas e Moscatel de Setúbal

Natal com bananas e Moscatel de Setúbal

Nas ruas de Braga já se ouve: “dia 24 estamos lá”, numa alusão ao ‘encontro’ anual na véspera de Natal.

E é assim desde a década de 70 do século passado, mantendo uma tradição que reúne milhares de pessoas numa rua da cidade de Braga para beber Moscatel de Setúbal, acompanhado por … bananas.

Há uma explicação para esta «harmonização» que tem mais de quatro décadas na Casa das Bananas, também conhecida como ‘O Bananeiro’, onde muitos do que ali acorrem já o fazem para encontrar alguém que certamente tem o mesmo objetivo.

Tudo começou quando Manuel Rio, o proprietário da loja ‘Casa das Bananas’ na rua do Souto, na cidade de Braga decidiu, para atrair mais clientes ao seu estabelecimento, montar um balcão para vender Moscatel de Setúbal a copo. Mas como alguns clientes reclamavam por não existir algo para «forrar» o estômago, o empresário apresentava, naturalmente, uma banana, o principal produto da casa.

Antigos colegas de liceu do filho, Jorge Rio, decidiram começar a juntar-se na Casa das Bananas em convívio, a pretexto do Natal, brindando com um cálice de moscatel… acompanhado de uma banana.

Mas o convívio de um pequeno grupo de jovens amigos começou a ser imitado por outros grupos de cliente passando, de ano para ano, a ser um ponto de encontro de bracarenses. Hoje, sabe-se de amigos que só ali se encontram, uma vez por ano, num costume que transmitido entre pessoas que por ali trabalhavam ou resudiam acabou por se transformar numa tradição natalícia.

Como publicava o JN em Dezembro de 2010:
…a Rua do Souto e Largo do Paço são pequenos para os milhares de “foliões” que, de copito de moscatel numa mão e banana na outra, vão-se juntando durante a tarde nas imediações. Seja de gorro de Pai Natal ou de concertina e viola braguesa, as gentes apressam o encerramento do trabalho para pré-aquecer a noite de Natal no Bananeiro. “Hoje em dia já noto que há pessoas que vêm de outros lados, como do Minho até aqui, inclusive, até há excursões”, revelou Jorge Rio, o tal que recebia ali os amigos de liceu.