NASA admite produção de vinho no espaço

Um cientista do Sistema de Produção de Vegetais da NASA chamado “Veggie” diz que a viticultura espacial pode ser possível com a tecnologia certa e muita paciência.

A bordo da Estação Espacial Internacional existe uma horta, que até já “deu frutos”, ou mais propriamente vegetais, pela primeira vez degustados no verão de 2015. E isto aconteceu, precisamente, a partir do sistema Veggie, que a NASA quer amadurecer, para poder oferecer aos futuros viajantes espaciais um meio de alimentação sustentável.

Em setembro do ano passado a China enviou, a bordo do novo laboratório espacial Tiangong-2, vários pés de videiras com o objetivo de estudar o desenvolvimento das plantas no espaço e verificar que alterações podem ocorrer com a exposição à «radiação espacial», tornando-as, eventualmente, mais resistentes a condições climatéricas adversas e solos difíceis.

Chris Gerling, do departamento de enologia da Universidade de Cornell, diz que o lado positivo das videiras espaciais é que “elas não seriam expostas a doenças da videira ou a insetos como a filoxera, que quase dizimava a indústria vitivinícola francesa há 150 anos”.

“Ter uvas para vinho seria um desafio interessante”, afirmou Gioia Massa , responsável pelo estudo, em declarações ao Gizmodo. “Temos vindo a trabalhar com algumas árvores de fruto anãs desenvolvidas pelo USDA [departamento de agricultura norte-americano] e já ouvimos dizer que também têm vinhas anãs, por isso, se as plantas forem suficientemente pequenas, seria certamente possível cultivá-las”.

Quanto à produção de vinho no espaço, de acordo com Gioia Massa: “Para o processo real de produção de vinhos, confesso não ter certezas, mas talvez um biorreator microbiano possa ser desenvolvido, o que permitiria que a fermentação e outros processos ocorressem em microgravidade”. A cientista continua explicando que “a fermentação é um processo anaeróbio (que vive sem ar ou sem oxigénio e procura a energia necessária na fermentação da glucose e de outros produtos) pelo que o facto de fluidos e gases não se misturarem bem no espaço pode não ser um problema para esse processo. Sim, definitivamente, acho que seria possível “.

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