Metade do salário dos russos vai para alimentação

Pela primeira vez em oito anos, comida, bebidas alcoólicas e tabaco compõem a maior fatia (50,1%) do volume de negócios de retalho na Rússia, de acordo com pesquisa mensal de fevereiro de 2016 sobre a situação sócio-económica da população e bem-estar público, realizada pelo Instituto de Análise Social da Academia Presidencial de Economia Nacional e Administração Pública da Rússia.

O último recorde foi registado em maio de 2009, quando a parcela de produtos alimentares atingiu 49,6% do volume de negócios de retalho.

“Os gastos da população com alimentos estão a crescer, o que se reflete na diminuição da renda real e no aumento da pobreza. Quanto mais pobre a família, maior será a parte do orçamento destinada à comida”, lê-se no documento divulgado pelo instituto.

Em fevereiro de 2016, o rendimento real dos russos diminuiu 6,9% e os salários reais caíram 2,6%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O nível de pobreza aumentou 2,2%, chegando a 13,4%. Da população russa, 50% afirma sentir uma diminuição no nível de vida.

Segundo o relatório, em março de 2016, 89% dos russos de baixo rendimento passaram a economizar em bens e serviços.
“Além dos gastos em comida, os russos têm outras despesas mensais como dívidas, hipotecas e outros compromissos financeiros. Nessas condições, a maioria dos russos têm adiado ou cancelado a compra de carros, equipamentos eletrónicos ou móveis”, diz a analista sénior do banco Raiffeisen Bank, Natália Kolupáeva.

“A luz no fim do túnel parece cada vez mais fraca”, diz Maria Ivánova, uma das autoras da pesquisa. Segundo ela a fatia ocupada por produtos alimentares nos orçamentos dos russos continuará a crescer em 2016.

“A renda real da população vai cair e, consequentemente, o consumo de bens essenciais vai crescer”, conclui.

Fonte: Gazeta Russa

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