Má alimentação provoca novos casos de cancro em Portugal

O maior número de cancros do cólon registados nos últimos anos em Portugal pode ter explicação pelo menor consumo de sopa e fruta a que se acrescenta o consumo de manteiga em vez de azeite e a redução de leguminosas na alimentação.

Dados de 2009, os mais recentes que existem sobre a incidência dos tumores malignos em Portugal, mostram que as neoplasias do cólon são cada vez mais expressivas, só não destronando as da mama na mulher e da próstata no homem.
“As mudanças no cancro têm de ter décadas para se notarem e a subida no cólon, quase igual para homens e mulheres, é devida às alterações na alimentação, sobretudo nos grandes centros urbanos”, explica Ana Miranda, diretora do Registo Oncológico Regional do Sul (ROR-Sul). A médica do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa alerta que é preciso “regressar à alimentação mediterrânica, com sopas, frutas, vegetais; reduzir o sal, a gordura e o açúcar”.

O Registo Oncológico Nacional também permite perceber que os hábitos alimentares dos portugueses apresentam relação com os cancros que surgem mais ou menos no país e em cada região, com diferenças significativas.
A coordenadora do estudo dá o exemplo do grande aumento dos casos de cancro do cólon que possivelmente estará relacionado com o facto de nas últimas décadas os portugueses terem passado a comer mais hidratos de carbono, gorduras ou fast-food em detrimento das verduras ou do peixe e da típica dieta mediterrânica.

Os efeitos negativos do consumo continuado de alimentos processados teve ainda recentemente um alerta da própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Em outubro do ano passado, salsichas, presunto, chouriço ou bacon foram incluídos na lista de substâncias que provocam cancro, reforçando assim um risco que já estava identificado e declarado pelo Fundo Internacional para a Investigação Mundial do Cancro desde 2007.

As pesquisas feitas pelos investigadores da OMS, através da Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC), demonstraram provas suficientes para incluir a carne vermelha processada entre as mais de 100 substâncias indutoras de neoplasias. No caso da carne, é preciso sublinhar, o perigo está no consumo expressivo e diário.

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