//Licor de Ginja (ou ginginha)

Licor de Ginja (ou ginginha)

De Alcobaça ou de Óbidos, «com ou sem elas», a Ginja do Oeste ganhou já um lugar de destaque entre as bebidas tradicionais portuguesas.

Pensa-se que a ginja, também conhecida por cereja ácida, é procedente da Ásia Menor, sendo já comum em Portugal nos séculos XV e XVI. José Leite de Vasconcelos relata na sua obra “Etnografia Portuguesa” uma passagem de Ruy Fernandes, do século XVI, referindo as ginjas garrafais de Lamego, o que testemunha a sua presença nos hábitos alimentares dos portugueses por alturas do Renascimento. Este pequeno fruto redondo, de cor vermelha, com sabor agridoce, é produzido, em Portugal, essencialmente na região Oeste. As árvores, de nome ginjeiras, entram em produção ao fim do quarto ou quinto ano de plantação, alcançan¬do a produção máxima entre o sétimo e o décimo ano, período em que, em pomares bem cuidados, os ginjais, podem ser colhidos 10 a 15 quilos de gin¬jas por árvore. A floração da ginjeira, que no Oeste ocorre normalmente em Fevereiro, justifica passeios só para admirar as lindíssimas imagens proporcio¬nadas pelas manchas de flores brancas. A colheita, realizada em Junho, durante cerca de vinte dias, deve ser manual e mantendo inteiro o pedúnculo do fruto. Como indicadores da melhor data para a colheita, podem ser utilizados dois critérios: a cor dos frutos, vermelha em toda a superfície, ou o seu nível de açúcar, medido por um refratómetro.

Alcobaça e Óbidos são as grandes referências geo¬gráficas da produção de Licor de Ginja, ou Ginjinha, como também é conhecida esta bebida, que é já um atrativo turístico nos dois destinos da região Oeste, mas também na Baixa da cidade de Lisboa.

Este licor encontra a sua origem, provavelmente, na atividade doceira e licoreira dos conventos, no século XVII, e a sua popularidade e consequente comercialização estará relacionada, no caso de Óbidos, com o início do turismo nos anos 60 do século XX. Por iniciativa de um comerciante de nome Montez, proprietário de uma loja de antiguidades e velharias, foi inaugurado o primeiro bar na vila, o “Ibn Errik Rex”, ponto de encontro da classe abastada da região, que promoveu o Licor de Ginja a bebida da casa, com grande adesão por parte dos apreciadores. Rapidamente a oferta alargou-se a outros bares que, entretanto, abriram e passaram a competir entre si, em busca da «melhor Ginja».

Já em Alcobaça, surgiu na década de 20 do século passado o ainda hoje famoso Licor de Ginja M.S.R., a partir das iniciais do nome de Manuel de Sousa Ribeiro, seu criador. Esta variedade é comercializada numa peculiar garrafa de forma cónica, que foi dese¬nhada no início da década de 30 do século passado, registando imediatamente um grande sucesso, o que constituiu um importante contributo promocional. Num folheto de promoção, a empresa destacava que esta Ginja é ”a melhor, por ser fabricada com a essência do próprio fruto”, o que leva a crer que, já na altura, se produziam licores de ginja com corantes.

De Alcobaça ou de Óbidos, «com ou sem elas», a Ginja do Oeste ganhou já um lugar de destaque entre as bebidas tradicionais portuguesas.

Texto e fotos: Livro ‘ Os Sabores da Nossa Terra’: Leaderoeste – Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural do Oeste.