Há 16 anos a gastronomia portuguesa foi elevada a «património cultural». Lembram-se?

A 7 de Julho de 2000, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução considerando a “gastronomia portuguesa como um bem imaterial integrante do património cultural de Portugal”.

A resolução que envolveu os Ministérios da Economia, Cultura e Agricultura, pretendia: o levantamento do receituário tradicional português, em toda a sua diversidade, evidenciando-se os aspectos que o singularizam; a criação de uma base de dados de receitas e produtos tradicionais portugueses; a identificação dos requisitos que permitam a certificação de receitas e produtos tradicionais portugueses; a criação de condições que permitam a inventariação dos estabelecimentos de restauração e de bebidas existentes no País que incluam nas suas ementas receitas da cozinha tradicional portuguesa; a promoção interna e externa da gastronomia nacional, designadamente com o objectivo de fomentar a procura turística; a criação de concursos locais, regionais e nacionais de gastronomia; a promoção de novas receitas confeccionadas com produtos genuinamente portugueses; a contribuição para a melhoria da oferta turística nacional, sensibilizando os diferentes agentes do sector para a necessidade de remodelarem os seus estabelecimentos, tanto no que respeita às instalações como à qualidade do serviço prestado.

Passaram 16 anos e praticamente nada disto foi implementado pelos governos que sucederam ao de António Guterres que tomou tal decisão.

Como escreveu Virgílio Gomes no seu blogue, renovaram-se as expetativas quando o Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, em discurso proferido no dia 14 de Outubro de 2005, afirmou “reitero e congratulo o passo que foi dado na Resolução de Conselho de Ministros nº 96/2000 de 26 de Julho”. Mais à frente, afirma: ‘É indiscutível que pretendo continuar este trabalho, quero aliás descansar o senhor Presidente da Região de Turismo do Ribatejo, quando há pouco se referia à necessidade de reactivar a Comissão Nacional de Gastronomia, devo dizer que partilho da mesma preocupação, pelas razões que anteriormente aduzi”. Mais uma vez as expetativas saíram goradas.

Muitos já esqueceram a importância que esta Resolução poderia vir a ter. Mas basta recordar apenas dois importantes objetivos: A criação de uma base de dados do receituário e dos produtos tradicionais portugueses, e a criação de um regulamento para os concursos locais, regionais e nacionais de gastronomia portuguesa.

A gastronomia portuguesa e todos os que trabalham com o objetivo da sua valorização e promoção, mereciam mais. Ou será que somos nós que temos o que merecemos?

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