«Guerra» do Alvarinho

Exigida a demissão do presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) por “violação” da legislação que regulamenta o alargamento da produção de Alvarinho.

O presidente da Câmara de Melgaço Manoel Batista justificou este ‘pedido de demissão’ esclarecendo: “Detetamos, há pouco tempo que grandes empresas de fora da sub-região Monção e Melgaço já estão a rotular vinho Alvarinho verde. A Câmara e os produtores de Melgaço estão indignados com esta clara violação do espírito do acordo. Se há rotulagem que foi emitida pela região dos vinhos verdes, o seu presidente não tem condições para continuar no exercício do cargo e deve demitir-se”, declarou o edil à Lusa.

Para quem não sabe ou não tem presente o motivo desta ‘revolta’, esclareça-se que o que está em causa é o acordo alcançado a 13 de janeiro de 2015 pelo Grupo de Trabalho do Alvarinho (GTA), constituído pelo anterior Governo para negociar a denominação daquele vinho. O GTA foi liderado pela CVRVV, defensora do alargamento da produção daquele vinho aos 47 municípios que a integram.

No referido acordo, a casta de maior valor nos vinhos verdes deixaria, após um período transitório de seis anos, de ser um exclusivo da sub-região no Alto Minho constituída por Monção e Melgaço). Assim, a produção de vinho DO (Denominação de Origem) Vinho Verde Alvarinho a partir de uvas produzidas fora da sub-região deveria ser uma realidade a partir da vindima de 2020/21.

A contestação surge na sequência do aparecimento de vinhos de empresas exteriores à sub-região, com os referidos rótulos que “não são falsificados por ter sido comprovado, informaticamente, que aquela rotulagem foi autorizada pela Região dos Vinhos Verdes”, afirma Manoel Batista.

Além da demissão do responsável da CVRVV, o autarca de Melgaço – município que juntamente com o concelho vizinho de Monção integra, desde 1908, a sub-região demarcada do Vinho Alvarinho – disse que “vai exigir ao Governo a revisão da legislação”.

Manoel Batista sublinha o que chama de violação do acordo pois “só no final do período de transição de seis anos”, previsto no documento, “é que os produtores de fora da sub-região Monção e Melgaço podem utilizar rótulo vinho Alvarinho”.

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