«Guerra» ao açúcar

Pacotes de açúcar reduzem quantidade este mês e máquinas de venda automática mudam em março.

Diminui a quantidade de açúcar nos pacotes servidos na cafetaria e na restauração, as bebidas açucaradas levam com taxas e são proibidos os doces nas máquinas de venda automática do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Mas apesar da «declaração de guerra» ao açúcar a bastonária da Ordem dos Nutricionistas afirma que ainda há muito a fazer para diminuir o seu consumo.

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde lembra que com o objetivo de se perceber os efeitos destas iniciativas “será publicado em março o Inquérito Nacional da Alimentação, que também irá avaliar a quantidade de açúcar que os portugueses ingerem, permitindo concluir, por exexmplo, se é nas crianças ou nos adultos que há um maior consumo, quais as diferenças entre o norte e o sul.

Pedro Graça alerta ainda para o facto de o açúcar ser uma das grandes fontes de preocupação a nível europeu, uma vez que “é um produto muito barato”, e, na maior parte das vezes, “invisível”, já que a sua maior ingestão ocorre em produtos que não são açúcares, mas onde está presente.

Já Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, afirma ser importante importante que a indústria alimentar reduza a quantidade de açúcar nos seus produtos mas, alerta, “como os consumidores estão habituados aos alimentos com um determinado sabor e perfil, se uma empresa reduzir o açúcar dos seus alimentos, isoladamente, pode perder clientes para a concorrência”.

A solução só poderá estar, continua Alexandra Bento, na obtenção de um acordo entre o Ministério da Saúde e as associações do setor, dos refrigerantes aos cereais e aos laticínios, que os leve ao compromisso de estabelecerem uma redução num determinado horizonte temporal”, sugere.

2.1A bastonária acrescenta que a Ordem apoia a taxa sobre as bebidas açucaradas que entra em vigor em fevereiro, “se o valor arrecadado, que a legislação diz reverter para o SNS, for usado na componente de educação alimentar”.

Certo é que, a partir deste mês, todos os pacotes de açúcar distribuídos na cafetaria e restauração terão entre cinco e seis gramas, em vez das anteriores seis a oito. A partir de março, os doces, bem como os snacks e os salgados, desaparecem das máquinas de venda do SNS. E para este ano está ainda previsto o arranque do Plano Assistencial Integrado para a Pré-Obesidade que prevê que quem recorra a uma consulta num centro de saúde seja pesado e medido e se for detetado excesso de peso, será marcada uma outra consulta para avaliação do problema.

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