Geada dizimou noz e amêndoa

Os agricultores de Valpaços, no distrito de Vila Real, esperam quebras elevadas na produção de fruta, como nozes e amêndoas, devido às geadas que queimaram árvores e dizimaram os frutos.

Um dos produtores contactados pela agência Lusa desabafou que “a produção vai ser zero”, explicando que está em risco a produção deste ano e a produção do ano que vem porque “a geada queimou o fruto que estava a germinar e queimou a rama toda e por isso a árvore está nua como que seja em pleno inverno”, afirmou Manuel Teixeira.

O agricultor explicou que o facto de esta primavera apresentar temperaturas muito altas, “fez com as árvores tenham criado flor e fruto mais cedo”, que não resistiram às geadas provocadas pelas temperaturas muito baixas,“destruíndo tudo”.

«Tenho cerca de 500 nogueiras, 2.500 amendoeiras e um hectare e meio de vinha e está tudo queimado devido a esta geada fora do tempo», lamentou-se acrescentando que, sendo estes frutos são a sua principal fonte de rendimento, “isto vai-nos afetar gravemente porque dependemos disto para sobreviver», frisou.

Ou produtor, João Ferreira, revelou que tem também na noz a sua principal fonte de receita, com as suas 450 nogueiras a produzirem, em média, cerca de 10.000 quilos.

Mas este ano, “nada, zero, não tenho um quilo de nozes, está tudo seco”, lamentou. O agricultor explicou que estas árvores “não têm um ramo verde e não há nada a fazer, não há qualquer tratamento que possa fazer”.

O presidente da Câmara de Valpaços, Amílcar Almeida, juntou a sua voz à dos produtores e disse que este ano agrícola está a ser muito complicado para o concelho. À falta de chuva juntaram-se as temperaturas baixas.

«Tivemos um prolongar do inverno, temos tido geadas, ainda há dois dias tivemos noites que atingiram um grau. Temos vinhas que parecem quase folha de tabaco, para além do feijão ou até das nogueiras», referiu.

O autarca falou numa «tragédia» que está a assolar o setor primário do concelho e, por isso, salientou que vai ser feito um apelo ao ministério da Agricultura no sentido de que haja «alguma sensibilidade» para com esta situação.

«Não basta querermos povoar o interior, não basta querermos promover o setor primário, mas ainda assim temos esses contratempos e gostaríamos de poder contar com a ajuda, se não for direta pelo menos indireta, por parte do Estado», frisou.

O setor agrícola rende 100 milhões de euros por ano em Valpaços, com destaque para os três principais produtos: a castanha, o azeite e o vinho. A castanha é a produção mais rentável e vale cerca de 50 milhões de euros anuais.

Fonte: Lusa

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