Falsificação de vinho em Portugal «vale» 19 milhões

Portugal perde, todos os anos, 19 milhões de euros com a contrafação de vinhos, um valor que chega aos 27 milhões se somarmos as falsificações de bebidas espirituosas.

Os dados integram o mais recente relatório do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO), que estima que as perdas das indústrias legítimas da Europa ascendam a 1,3 mil milhões de euros, qualquer coisa como 3,3% das vendas. E são 4800 postos de trabalho que se perdem.

Nas informações relativas a Portugal revela-se que o nosso país perde, todos os anos, 19 milhões de euros com a contrafação de vinhos, mas se somarmos as falsificações de bebidas espirituosas o valor chega aos 27 milhões.

Agentes da Autioridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) verificam o interior de um camião durante uma operação de fiscalização do transporte de bens alimentares no sentido sul/norte da Ponte 25 de Abril, em Almada, 16 de dezembro de 2011. MARIO CRUZ / LUSA

Pedro Portugal Gaspar, inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) considera que “a falsificação só faz sentido para artigos de luxo, onde a margem de lucro é muito elevada”

O agente da ASAE exemplifica com o famoso ‘Pêra Manca’ explicando que “para uma rede de contrabando, vender este vinho especial alentejano no mercado digital é muito lucrativo. Os preços podem chegar facilmente aos 350 euros”.

Recorde-se que a ASAE apreendeu, há um mês, 1700 garrafas de Pêra Manca, tinto, da colheita de 2010, bem como rótulos e cápsulas contrafeitas. Tudo no valor aproximado de 250 mil euros.

“Essas apreensões deram-nos o primeiro sinal para estarmos atentos. Fala-se muito na contrafação de vestuário e de acessórios de luxo, como malas e relógios de marca, mas o fenómeno tem vindo a diversificar-se para novos produtos na área alimentar e para novos meios de transação por via digital, sendo certo que o essencial do ilícito se mantém, que é a adulteração de um produto de marca”, sublinha Pedro Portugal Gaspar.

Já o presidente da Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal (ACIBEV), lembra que “os produtores, porque devidamente registados e certificados, são obrigados a cumprir uma série de regulamentos que protegem o consumidor. Mas o falsificador só se interessa em explorar a confiança que o consumidor tem nas marcas, conhecidas pela sua qualidade e consistência”.

A Espanha é o país europeu mais penalizado pela contrafação de vinhos, registando 90 milhões de euros perdidos por ano a que, se somarmos as bebidas espirituosas, chegaremos aos 173 milhões.

Foto: SetúbalTV

One thought on “Falsificação de vinho em Portugal «vale» 19 milhões

  1. Triste isto. E o mais assustador é que hoje vou beber um Pera manca tinto de 2010 que um amigo vai nos oferecer como despedida..e agora..que certeza tenho que ele é autentico???

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