//Enoturismo, enoturismo, enoturismo…

Enoturismo, enoturismo, enoturismo…

Oradores de videoconferência evidenciaram o papel do enoturismo na promoção do vinho e do mundo rural.

No âmbito das comorações do seu 13º aniversário a Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) promoveu a 30 de abril uma videoconferência em que participaram responsáveis de instituições ligadas ao vinho e ao enoturismo a nível nacional e internacional.

Das intervenções subordinadas ao tema ‘O vinho e o mundo rural – soluções para a atual crise’, destacamos alguns momentos:

Bernardo Gouvêa, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, também em representação do Secretário de Estado da Agricultura

… afirmou que o vinho não teria a performance e o peso que tem na economia nacional se não estivesse, efetivamente, ligado de uma forma muito direta ao turismo e ao enoturismo. Reforçou esta convicção revelando que “os 820 milhões de euros de exportações alcançados no ano passado resultaram do esforço dos vários agentes económicos, mas com um forte contributo do turismo relacionado com o vinho”.
No que se refere ao futuro mostra-se convicto de que, depois desta pandemia, “muito do comportamento do consumidor vai orientar-se para um regresso ao mundo rural, criando-se assim oportunidades para promover e criar dentro da oferta do enoturismo um apelo para uma vida mais sustentável com preocupações relacionados com a saúde a ecologia em que o mundo rural pode valorizar-se.
O responsável por este organismo elogiou ainda o trabalho já realizado pela Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal sublinhando o papel que as Rotas de Vinho poderão e deverão assumir nos novos desafios.

Luis Araújo, presidente do Turismo de Portugal (TP)

… considerou que este pode ser “um bom momento para refletir sobre como vai ser o futuro” e recordou que o organismo a que preside “tem trabalhado arduamente desde a Estratégia Nacional de Enoturismo de 2017” (Estratégia Nacional 20/27) reafirmando a convicção de que o produto Gastronomia e Vinhos continuará a ser um dos ativos estratégicos para a promoção e valorização do turismo nacional.
O responsável pelo Turismo de Portugal afirmou que o enoturismo permite uma ampla cobertura nacional “porque nos permite tocar em praticamente todo o território e não apenas naquelas que são as regiões mais turísticas”, pelo que vai certamente continuar a afirmar-se como um dos setores mais dinâmicos da procura turística e principalmente no despertar do interesse de Portugal em muitos mercados no mundo.
Quanto à recuperação, Luís Araújo afirmou que “todos os nossos ativos continuam intocáveis e esta é uma paragem que pode até permitir-nos avançar um pouco mais naquilo que já tínhamos, obrigando-nos a trabalhar mais em conjunto”.

Ivane Favero, em representação da Associação Mundial de Enoturismo (AMETUR),

… disse estar convicta que para o futuro “o desafio é que nos preparemos para um novo modelo de turismo que, embora ainda não se saiba exatamente como será, certamente “será iniciado pelo turismo interno”.
Referiu ainda a sua convicção que os destinos do futuro terão que ter o que chamou de quatro S’s:
Seguros, não apenas no que se refere a segurança física mas que agora passa a ser também segurança sanitária. Sustentáveis não apenas ambientalmente, mas também na vertente cultural “pois estamos a vir da globalização para a localização” e com um cada vez maior envolvimento da comunidade. Solidários “e essa é uma imagem que Portugal está a passar muito bem para o mundo, a solidariedade entre as pessoas e entre público, privado e comunitário”. E Saudáveis,” isto é, que promovam bem-estar e perceção do valor da vida”.
A Consultora e Coolhunting em Turismo, que já foi presidente da AMETUR, numa intervenção a partir do Brasil, mostrou-se convicta que “a imagem de Portugal neste contexto de pandemia está muito positiva e com toda a certeza, o que vai na memória das pessoas contribuirá para um regresso dos enoturistas brasileiros e não só”.

Jorge Sampaio, presidente da Rota da Bairrada

… é da opinião que para melhor encarar os desafios futuros “não há uma solução mas várias, com desafios e ações concertadas que estimulem os agentes económicos a trabalhar em conjunto”.
Recordou que já antes era, mas agora ainda é mais importante ter em conta que a “insegurança no turismo é fatal e por isso é preciso fiscalizar depois de legislar” e alertou para as quatro áreas que considera importantes para trabalhar o futuro:
– Apoio sério e claro aos agentes económicos tendo presente que o turismo foi uma das primeiras atividades a parar e será das últimas a retomar.
– Criar segurança e confiança no destino. Temos que mostrar que estamos a trabalhar para merecer essa confiança
– Mais do que nunca, a existência de estratégias para o turismo que não podem mudar de 4 em 4 anos, ao sabor de eleições. “É preciso uma ação concertada entre os partidos que podem formar governo”.
– E “mais do que pensar, atuar no sentido de colocar em prática o principio de trabalhar em rede”.

Pedro Ribeiro, presidente da AMPV- Associação de Municípios Portugueses do Vinho

… começou por referir o drama vivido pelos produtores com a enorme quebra de vendas “num momento muito bom e que previa continuação de crescimento”, considerando que o resultado desta situação de pandemia foi um “verdadeiro baldede água gelada, quando já ultrapassávamos os 800 milhões de euros em exportações e o mercado do enoturismo, que para esse resultado muito contribuiu, estava em grande crescimento”.
O também presidente da Câmara Municipal do Cartaxo lembrou que o impacto ao nível dos produtores não é igual em todo o território porque “as grandes empresas ainda conseguirão entendimentos com as grandes superfícies por exemplo, mas os pequenos e médios produtores estavam muito dependentes do canal HORECA (Hoteis, Cafés, Restaurantes) e até, muitos deles, das receitas com o Enoturismo”.
Um futuro com novos hábitos de consumo eleva a importância do apoio da AMPV e dos municípios associados sobretudo aos pequenos e médios produtores, considerando que, por essa razão, o protocolo a estabelecer com a OIKOS vai constituir uma boa resposta.

Daniela Capelo Vice-presidente da Câmara Municipal de Pinhel ‘Cidade do Vinho 2020/21’

… lembrou que aquele município conta com 7 mil hectares de vinha dos quais resultaram no ano passado 18 milhões de kilos de uva e 15 milhões de litros vinho, para além de ali se localizar uma das maiores adegas cooperativas do país.
Confessando que “há muito tempo que acalentávamos a expetativa de vir a ser ‘Cidade do Vinho’ afirmou que face à situação que se vive no mundo e que impediu a realização da programação “se o desafio já era grande, assumimos que agora é ainda maior. A situação que vivemos deixou-nos tristes e preocupados mas a AMPV sem que o município tivesse colocado alguma questão, decidiu prorrogar o prazo de vigência da Cidade do Vinho 2020 para o próximo ano de 2021”.
Mantendo a esperança de vir a desenvolver ainda este ano algumas atividades, é na ‘recuperação’ em pleno no próximo ano que a autarca, o restante executivo e o concelho em geral, apostam agora.

José Calixto Presidente da RECEVIN – Rede Europeia de Cidades do Vinho e também presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz

… manifestou preocupações enquanto autarca, relativamente às dificuldades dos agentes económicos ligados ao vinho e ao enoturismo, “área do turismo que terá certamente que se reposicionar para manter o crescimento que, a nível nacional, merecidamente vinha a registar”.
Quanto à RECEVIN, que conta com largas centenas de associados, salienta que este é “um momento de reflexão para os territórios vinhateiros europeus e por isso, na próxima reunião, o Conselho de Administração RECEVIN vai discutir a atualidade e as perspetivas de futuro, tendo em conta as realidades de cada país e analisando as questões específicas e as que são comuns”, afirmando que “a existência desta rede terá agora uma ainda maior justificação”.
Quanto à ‘Convenção Mundial de Enoturismo’ prevista para outubro em Reguengos de Monsaraz, José Calixto diz esperar “um eventual adiamento da data por parte da Organização Mundial de Turismo, mas a sua realização terá agora uma enorme importância no relançamento do enoturismo”, salientou.