Crise alterou hábitos alimentares dos portugueses

Ir menos a restaurantes (31%), levar refeições para o trabalho (14%) e até mesmo passar a cultivar legumes, frutas ou ervas aromáticas (11%) foram decisões tomadas para enfrentar a crise.

Estas são conclusões do «Primeiro Grande Inquérito Sustentabilidade em Portugal», realizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa para a Missão Continente.

A conclusão óbvia é que os portugueses mudaram muitos hábitos devido à crise económica e fizeram-no de forma voluntária, como os 30% que abdicaram de frequentar restaurantes ou a isso foram forçados como os 15% que sofreram uma forte desqualificação em termos alimentares.

2-1As dificuldades sentidas pela esmagadora maioria levaram a mudanças que acabam por ser benéficas para os próprios e para o ambiente em geral, como é o caso dos 60% de portugueses se manifestam dispostos a reduzir os padrões de consumo em defesa do planeta, concluiu o inquérito.

Luísa Schmidt, revela que essas pessoas “valorizam mais aspetos que garantam a boa qualidade do ambiente até porque diminuíram as férias fora de casa e aproveitam os espaços naturais, as paisagens, e o ambiente funciona como compensação para a crise que retirou de certo modo as pessoas do consumismo”.

A coordenadora deste trabalho acrescentou que “alguns acabaram por melhorar a alimentação, comprando diferente, por exemplo, menos, mas de melhorar qualidade. Estas são as pessoas com filhos, mais letradas, que não vivem com rendimentos muito difíceis, e que acabaram por seguir uma forma de vida mais sustentável”, salientou.

A especialista acrescentou que “há um grupo de 15%, que possui menos literacia, que tiveram uma grande desqualificação em termos alimentares, que vivem de uma forma muito aflitiva, com constrangimentos económicos”.

Por outro lado, a transferência para produtos saudáveis foi apontada por 18,4% dos inquiridos, a redução do poder de compra é referida por 16%, e apenas 1,3% diz que compra menos produtos supérfluos ou tem menos tempo para uma alimentação saudável.

Outro dado curioso apontado por Luísa Schmidt é que a luta contra o desperdício se tornou “uma evidência” entre os portugueses e “não estragar tanto é um grande mote na sociedade portuguesa, o que remete para práticas antigas, mas agora é uma visão moderna ligada à economia circular”.

Este inquérito presencial foi realizado entre 7 de abril e 7 de maio, a 1.500 residentes em Portugal, com mais de 18 anos, numa amostragem aleatária atendendo a região, género, idade e escolaridade, com um intervalo de confiança de 95%.

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