//Conhece o ‘Figo da Índia’?

Conhece o ‘Figo da Índia’?

Por ser um fruto pouco conhecido tem ainda pouco consumo em Portugal, ao contrário de Marrocos, ou mesmo da vizinha Espanha.

A Confraria Gastronómica do Figo da Índia vai promover, em Arraiolos, os workshops ‘Apanha e Maturação’ e também ‘Conservação e Escoamento’, com objetivo de informar e debater com os produtores as dificuldades nos processos da apanha até ao escoamento da fruta.

O FIGO (e figueira) DA ÍNDIA NA CULINÁRIA
O figo da Índia consome-se fresco e em doçaria, nomeadamente com o nome de pastel de nata, com as folhas da figueira fazem-se sopas e saladas e no Algarve, há um concurso de culinária.

O sabor do figo da índia é doce e há quem o defina como uma combinação entre pêra e melão. É rico em açúcar – portanto, energético – potássio, magnésio, cálcio e vitaminas C, A, B1 e B2.

O fruto é uma baga de cor que pode variar da amarela (os mais apreciados), laranja, roxa ou vermelha, mede entre cinco e nove centímetros de comprimento e pesa cerca de 120 gramas. A polpa é suave, com textura um pouco granular, tem pequenas sementes comestíveis de cor preta, translúcida, gelatinosa e aromática. Fonte de 30% de fibras solúveis e 70% de fibras insolúveis, tem ainda a vantagem de cada 100 gramas de figo da Índia fornecerem apenas 34 calorias.

Por ser um fruto pouco conhecido tem ainda pouco consumo em Portugal, ao contrário de Marrocos, ou mesmo da vizinha Espanha. Na gastronomia começa agora a ser «descoberto» sobretudo por novos cozinheiros e por influência de outros países. E se os figos são consumidos essencialmente frescos, ou secos, em sumos, cocktails com bebidas alcoólicas, compotas, geleias, doçaria e até em patê, as enormes folhas da planta (a figueira) podem ser consumidas frescas, grelhadas, em sopas ou em pickles e conservas.

Sopa de Folha de Figueira da Índia (Palma), Salada de Brotos de Folha de Figueira da Índia (ou Palma) com atum, Bolinhos de Folha de Figueira da Índia (ou Palma) com Mel, Pudim de Figo da Índia com Merengue e Torta de Figo da Índia, são algumas das receitas disponíveis. Na região da Covilhã, um casal criou o «Pastel de Nata de Figo da Índia», registando a marca e a receita.

O fruto que chegou à Europa (oriundo das américas), pelas mãos dos espanhóis, no século XVII, tendo-se espalhado sobretudo na região do Mediterrâneo. Em Portugal, desenvolve-se predominantemente no Alentejo e Algarve. O consumo desta planta começou há cerca de 9.000 anos, garantem especialistas e historiadores.

Em Portugal existem já algumas dezenas de produtores de figo da índia que constituíram a APROFIP – Associação de Profissionais de Figo da Índia Portugueses, com sede em Alcoutim, dos quais cerca de duas dezenas optaram mesmo pelo cultivo profissional.

A APROFIP garante até que esta é uma planta que permite rentabilizar solos de fraca qualidade e, quando plantadas, passados alguns anos na terra, podem melhorar a qualidade dos solos, podendo dar lugar a culturas hortofrutícolas que até aí não se desenvolviam”.

A colheita faz-se nos meses de agosto, setembro (principalmente) e outubro, exigindo luvas especiais, óculos e roupa de proteção. Do ponto de vista profissional é feita de madrugada, enquanto os picos estão húmidos e mais difíceis de se soltar e a favor do vento, para não existir a possibilidade de os picos voarem em direção à pessoa que está a colher. O fruto tem de ser submetido aos cuidados de uma máquina para ficar sem picos, seguindo depois para câmaras frigoríficas para melhor se conservar. Chega ao mercado fresco ou segue para transformação.
A esta planta da família das Cactaceae, também conhecida como cacto, chamam-lhe figueira-da-índia, figueira-do-diabo ou figueira-do-inferno.

Confraria Gastronómica do Figo da Índia tem página no facebook e pode ser contactada pelo endereço eletrónico: confrariadofigodaindia@gmail.com

Foto: Confraria Gastronómica do Figo da Índia