//Confrarias ‘municipalizadas’

Confrarias ‘municipalizadas’

A relação das confrarias gastronómicas com as Câmaras Municipais dos territórios em que estão inseridas ‘veio à baila’ num almoço, não oficialmente ‘confrádico’, mas em que participaram alguns membros de diferentes confrarias.
Dizia um que “as confrarias não devem ter relações com as autarquias”. Outro, talvez para tentar ganhar o prémio de ‘fundamentalista do ano’, foi mais longe e disparou que “nem deviam entronizar presidentes de câmaras ou de juntas de freguesia”. Depois de mais algumas barbaridades, mas também um conjunto de moderadas opiniões, chegou a minha vez de contribuir com algumas considerações, que decidi partilhar com os leitores.

As confrarias gastronómicas existem com os objetivos, entre outros, de defender e promover a gastronomia dos territórios onde se inserem e que representam. Nesse sentido, o que se espera é que contribuam de forma eficiente para a valorização da gastronomia enquanto produto turístico, inegavelmente importante para a economia local, regional e nacional.

Evidenciando-se como associações úteis para o concelho (ou a freguesia), as confrarias terão que ser assim reconhecidas pelo poder político sendo, portanto, desejável que mantenham com a autarquia as melhores relações e vice-versa. E até mesmo usufruírem de apoios – financeiros e outros – como o restante tecido associativo em função da sua atividade, ou participar em ações relacionadas com gastronomia promovidas pelo poder autárquico.
Sabe-se que nem sempre é fácil esta ‘convivência’, por exemplo, por razões políticas, comerciais ou de «ódios de estimação». Mas é possível e felizmente existem exemplos em que a colaboração entre as confrarias e o poder político local se processa de forma correta e por isso com benefícios para ambas as partes.

Se a confraria no âmbito da sua atividade promove a gastronomia/vinhos dos seu concelho, prestando um serviço que muitas vezes é pago a terceiros, é justo ser considerado um parceiro e ter as melhores relações institucionais com a autarquia.

Mais ainda. Se a confraria faz parte, de pleno direito, da vida social e cultural do concelho, faz todo o sentido que, por razões tão fundamentadas quanto outras admissões, tenha entre os seus confrades o cidadão que gere a autarquia. Ou mesmo a própria junta de freguesia ou câmara municipal integrarem a confraria.

Outra coisa, bem diferente, é deixar «municipalizar» a confraria. Isto é, permitir que a confraria seja ‘sustentada’ e consequentemente ‘controlada’, como se de uma ‘empresa municipal’ se tratasse.

Amilcar Malhó