//Confrarias Gastronómicas (I): o que são?

Confrarias Gastronómicas (I): o que são?

Atualmente, quase uma centena de confrarias gastronómicas integram a FPCG.

No site da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas (FPCG) estão atualmente identificadas 92 associadas, mas o número aumenta consideravelmente se incluirmos outras que por razões diversas não integram esta estrutura associativa. Registe-se também a existência do Conselho Europeu de Confrarias Enogastronómicas (CEUCO), que apresenta no seu site 17 confrarias em Portugal, uma parte das quais está também entre as 92 referidas.

Tendo em conta o conjunto de perguntas que recebo regularmente, relacionadas com este tema, de pessoas que desconhecem ou possuem ideias erradas sobre as confrarias gastronómicas, o ‘Jornal dos Sabores’ publicará nas próximas semanas um conjunto de textos que, espero, contribuirão para esclarecer.

Mas afinal, o que são as confrarias?

Comecemos, como exemplo, pela definição apresentada pela ‘infopédia’ da Porto Editora – Confraria: associação com fins religiosos; irmandade; conjunto de pessoas que exercem a mesma profissão ou têm as mesmas ideias ou sentimentos.

As confrarias gastronómicas não são, obviamente, associações com fins religiosos, nem Irmandades já que a designação se aplica a associações de fiéis destinadas ao exercício de obras de piedade, caridade e promoção do culto religioso público.

Mas pode dizer-se que uma Confraria Gastronómica é um “conjunto de pessoas que têm as mesmas ideias ou sentimentos”, como acima se refere ou seja, que assumem ter e defender “objetivos em comum”.

No caso das Confrarias Gastronómicas que nos propomos aqui abordar, o objetivo em comum é, entre outros relacionados, atuar em defesa de determinados produtos, de pratos tradicionais ou mesmo o conjunto da gastronomia de uma região.

Trata-se de organismos constituídos como associações sem fins lucrativos, com existência legal através de escritura e adotando a designação de confraria gastronómica. São, portanto, associações e como tal, vivem as dificuldades com que se depara a quase totalidade do associativismo, nomeadamente a dependência da dinâmica dos corpos sociais na prossecução dos objetivos definidos e a participação, ou melhor, a não participação dos seus membros associados na vida da confraria, entre outros.

Não é, como já se disse, um problema exclusivo das confrarias gastronómicas, mas constitui atualmente um dos motivos para a escassa atividade desenvolvida por algumas, que se limitam às presenças nos ‘capítulos’ das congéneres.

(Abordaremos em próximos textos os ‘Capítulos’)

No conjunto dos textos a publicar ao longo das próximas edições, serão abordados aspetos relacionados com confrarias que, numa interpretação pessoal que julgo facilitar a perceção dos leitores menos conhecedores deste tema, divido em três ‘tipos’ principais:

De Território – Ribatejo, Minho, Alentejo, Almeirim, Palmela…
De Produtos – Queijo Serra da Estrela, Bacalhau, Velhotes, Litão, Atum…
De Pratos (confeção) – Chanfana, Tripas à Moda do Porto, Leitão, Papas de S. Miguel,

Amilcar Malhó

Fotos: Capítulos da Confrarias Gastronómica de Almeirim (capa)
e Confraria Gastronómica de Palmela