Confraria Gastronómica da Amadora realizou o IV Capítulo

A presidente da Câmara Municipal de Amadora passou a integrar o grupo de confrades da Confraria Gastronómica daquele concelho.

No IV Capítulo daquela associação, realizado em finais de maio passado, foram igualmente integradas e entronizadas outras personalidades e entidades coletivas e, depois do bombom de urtiga, a confraria aproveitou a ocasião para lançar o bombom Deusa-ruma.

Ao contrário do que se possa pensar à partida, justifica-se plenamente a existência de uma Confraria Gastronómica na Amadora. Por um lado, porque este concelho possui tradições gastronómicas próprias relevantes (como o Coelho à Pedro dos Coelhos) e por outro, porque o “mosaico” de culturas que o caracteriza permite uma vastíssima oferta culinária.

Registada notarialmente em 20 de Outubro de 2004 a Confraria Gastronómica da Amadora tem como objectivo “divulgar, preservar, recuperar e promover, a nível nacional e internacional, a gastronomia tradicional do concelho e do país, sem contudo se opor à natural evolução da mesma”.

Recorde-se que a então Porcalhota (hoje Amadora) era uma estação de muda, paragem obrigatória para as carruagens que percorriam a estrada real de Lisboa-Sintra. Neste lugar, existia em 1817, como refere Eça de Queiroz n’ “Os Maias”, uma casa de comidas, cujo proprietário, Pedro Franco, fazia um petisco de coelho muito apreciado que ficou para a história, com o nome de «Coelho à Pedro», em homenagem ao seu autor.

Hoje, este é o prato de referência da Confraria, que tenta igualmente preservar o pão saloio da Venda Nova e da Venteira (freguesias do município) e também uma especialidade doceira, o pastel de feijão, chegado aos nossos dias com a designação de “Pastéis do Rangel”.

Esta zona, que recebeu milhares de naturais oriundos de todo o país em meados do século passado possui, por isso mesmo, um vastíssimo receituário passado de pais para filhos e oportunamente recolhido pela Confraria Gastronómica da Amadora, em concurso promovido nas escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho e publicadas no livro “Receitas da Avó”.

Certamente que as comunidades estrangeiras existentes no concelho serão, a seu tempo, alvo de recolha de receituário a publicar igualmente.

Em mais de uma dezena de anos da sua existência esta confraria tem demonstrado uma dinâmica digna de registo, com a participação em acções de divulgação gastronómica, intervenções de índole cultural e organização de mostras e concursos, entre outras.

Depois de algum tempo com uma diminuição da atividade regular, esta confraria vive atualmente um período de grande (re)dinamismo assinalando-se, no final de maio, a realização do seu IV Capítulo para entronização de novos confrades.

Aos confrades entronizados é permitido usar o traje e a insígnia com as seguintes características;
Traje: Capa preta abaixo do joelho, sobreposta por mini capa cinzenta debruada a grenat, que fecha com duas pequenas colheres de pau. Do lado direito da capa preta, pende uma colher de pau provadora, suspensa duma fita grenat. Chapéu preto com fita grenat, igual à da capa.

Insígnia: Sobre fundo amarelo, a cruz de Malta em tom púrpura (no séc.XIII teria existido, na pequena aldeia da Falagueira, uma granja da Ordem Militar do Hospital, mais tarde designada Ordem de Malta); sobre os braços horizontais da cruz, o Aqueduto das Águas Livres (no séc.XVIII, o Aqueduto atravessava os campos da Amadora, sendo visível da estrada real Lisboa – Sintra); sobre os braços verticais da cruz, a colher de pau, presente em qualquer cozinha portuguesa. Encimando o escudo, a”mascote” da confraria: a panela de ferro de três pernas, sem tampa.

A Confraria tem sede própria, localizada na Urbanização do Casal da Boba – Amadora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *