Casa do Douro vendeu vinhos para pagar a trabalhadores

Venda rendeu cerca de 1,5 milhões de euros, canalizados para o pagamento de salários e indemnizações aos trabalhadores, disse fonte da comissão administrativa.

Foram colocados à venda 81.400 litros de vinho do Porto, separados em 27 lotes de colheitas que vão desde 1934 até 2001.

O responsável pela comissão administrativa, Agostinho Santa, disse à agência Lusa que, com o ato formal de abertura de propostas para a compra dos vinhos, que renderam 1,5 milhões de euros, “atingiu-se o efeito útil que se pretendia e que foi fazer dinheiro. Com alguma folga conseguimos o dinheiro que precisávamos para pagar aos trabalhadores”, afirmou.

Participaram neste procedimento de alienação comerciantes de vinho generoso e de vinho do Porto, inscritos no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), num total de treze empresas que apresentaram propostas para oito vinhos diferentes e só um deles é que não foi vendido totalmente.

Se tudo correr bem, segundo o responsável, os pagamentos aos trabalhadores da extinta CD poderão começar a ser efetuados até ao final de maio ou início de junho.

Em causa, explicou, estão vencimentos e indemnizações que ficaram por pagar aos funcionários que perderam o vínculo laboral quando a Casa do Douro foi extinta e outros que já tinham saído da instituição, mas que ficaram também com pagamentos em atraso.
Para esta venda, foram selecionados os lotes de vinho que estão sem ónus, ou seja, que não têm penhora mercantil ao Estado ou à Parvalorem.

Criada em 1932, a CD viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros possuindo uma dívida ao Estado que atingiu, segundo o anterior Governo PSD/CDS-PP, os cerca de 160 milhões de euros.

A Casa do Douro pública foi extinta em dezembro de 2014. Posteriormente a Federação Renovação do Douro ganhou o concurso para gerir a CD privada e, já com o Governo PS, foi nomeada uma comissão administrativa para a regularização das dívidas da extinta Casa do Douro e da situação dos trabalhadores.

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