O Bolo-rei (e o bolo Arriaga)

O bolo-rei começou a ser vendido em Portugal por volta de 1870. Com a proclamação da República em 1910, houve uma tentativa de «destronar» também, o já célebre bolo francês.

Em Portugal, a primeira casa onde se vendeu bolo-rei foi a Confeitaria Nacional em Lisboa. Foi o filho do fundador que, depois da morte do pai em 1869 trouxe de Paris a receita e também um mestre confeiteiro que o fazia.

Com o tempo, a receita do bolo-rei foi-se tornando conhecida e outras confeitarias de Lisboa passaram a fabricá-lo, surgindo então várias versões, com mais ou menos frutas cristalizadas, massa mais ou menos fofa, mas sempre com um elemento comum: a fava.

No Porto, foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, ao que parece, também com uma (outra) receita que o proprietário trouxera igualmente de Paris.

O bolo-rei acompanhou os reinados de D. Maria II e dos reis D. Pedro, D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II. Mas em Janeiro de 1911, meses depois da proclamação da República, o Diário De notícias escrevia: “O bolo-rei tende a decair ou desaparecer – terá de ser substituído”.

Em França, este bolo tinha o mesmo nome (bolo-rei), no tempo de Luís XIV, para as festas do Ano Novo e do Dia de Reis. Com a revolução francesa os pasteleiros para continuar a fabricá-lo mudaram-lhe o nome para gâteau des san-cullottes (bolo dos sem cuecas) numa alusão às vestes dos nobres da época.

Em Portugal não desapareceu mas nos novos tempos pós-revolução, havia que suprimir a palavra rei e por isso, durante algum tempo, havia quem lhe chamasse ex-bolo-rei, bolo de Natal ou Bolo de Ano Novo. Os mais republicanos chamaram-lhe bolo-presidente e houve até quem o anunciasse como…Bolo Arriaga.

Ainda não há muitos anos o bolo-rei tinha dentro um brinde (um pequeno objeto metálico) ou uma fava que representava uma espécie de azar de quem a «apanhava» pois, segundo a tradição, teria de comprar outro bolo-rei. Por vezes a fava não aparecia pois quem a «encontrava» engolia-a sem se manifestar.

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