//As 7 Maravilhas da Gastronomia, das Mesas e dos Doces

As 7 Maravilhas da Gastronomia, das Mesas e dos Doces

Apesar das críticas relacionadas com a gastronomia desde 2011, quase mil doces apresentaram-se a concurso em 2019.

Em 2011 foram eleitas as ‘7 Maravilhas da Gastronomia’, em 2018 escolheram-se as ‘7 Maravilhas à Mesa’ e no ano ainda em curso, 2019, as ‘7 Maravilhas Doces de Portugal’.

Nas três edições direta, ou indiretamente relacionadas com a Gastronomia houve reações desfavoráveis, sobretudo após a divulgação dos resultados. Mas não só pois em 2011, ainda antes de ter início todo o processo que levaria à escolha das 7 Maravilhas da Gastronomia, a Confraria Gastronómica do Alentejo fez uma declaração pública a informar que “não iremos enviar nenhuma receita de gastronomia alentejana para este concurso”, por não concordar com as regras do mesmo.

E esta é, quanto a mim, a principal questão: as regras estão definidas e divulgadas logo, quem concorre, conhece-as. E se por acaso as não conhece, pior ainda.

Há quem critique o facto de se tratar de uma ‘eleição’ final através do número de telefonemas (0,60+IVA cada chamada), o que acaba não refletir a popularidade ou representação nacional dos produtos eleitos, mas apenas a ‘força telefónica’ dos votantes.

Mas por outro lado, é verdade que a transmissão televisiva dá a conhecer muitas especialidades regionais que, sem essa visibilidade, continuariam desconhecidas. Uma realidade que ficou mais ou menos valorizada de acordo com a capacidade técnica e de comunicação de quem se apresentou a ‘defender’ a proposta candidata.

Entre os programas que fazem da cozinha uma sala de espetáculos, ou que procuram mostrar o que não se deve fazer num restaurante e as 7 Maravilhas, o que é melhor? Essa é uma resposta que daria um bom debate, porque essa ‘coisa’ do melhor, é para uns, o que não é para outros.

Quanto às três edições das ‘7 Maravilhas’ relacionadas com a Gastronomia, recordemos (apenas) algumas curiosidades:

Nas ‘7 Maravilhas da Gastronomia’, em 2011, foram eleitas: Alheira de Mirandela, Queijo Serra da Estrela, Caldo Verde, Arroz de Marisco, Sardinha assada, Leitão da Bairrada e Pastel de Nata.

Tendo em conta que das 433 candidaturas apresentadas foram selecionadas 70 e entre estas, o Alentejo chegar a esta fase com 12 a votação, a grande surpresa foi a ausência de qualquer proposta alentejana entre as 7 eleitas.

As ‘7 Maravilhas à Mesa’, iniciativa que arrancou no final de 2017 com cerca de 200 ‘mesas’ representativas de gastronomia, azeites, vinhos e roteiros, culminou com a eleição, em setembro de 2018, das candidaturas de Albufeira, Bairrada ao Mondego, Lajes do Pico, Mirandela -Maria Rita do Romeu, Monção, Terras de Chanfana e Vila Real.

Na sequência da participação nesta iniciativa, os municípios de Vila Nova de Poiares, Lousã, Miranda do Corvo e Penela lançaram um projeto com a marca ‘Terras da Chanfana’, para promoção conjunta deste território do interior do distrito de Coimbra.

No mais recente concurso, ‘7 Maravilhas Doces de Portugal’, após 907 candidaturas, 140 nomeados, seleção dos finalistas e duas meias-finais, foram eleitas: Amêndoa Coberta de Moncorvo IGP, Bolinhol de Vizela, Charutos dos Arcos (Arcos de Valdevez), Crista de Galo (Vila Real), Folar de Olhão, Mel Biológico do Parque Natural de Montesinho e Roscas de Monção.

Mais uma vez se registou indignação por não terem sido escolhidos pelo ‘júri telefónico’ algumas das mais conhecidas especialidades doceiras de Portugal. Uma delas é o Pastel de Tentúgal, protagonista de mais uma das curiosidades deste concurso, explicada por este esclarecimento da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal:
“No seguimento do desfecho do concurso 7 maravilhas Doces de Portugal que integrou a candidatura do pastel de Tentúgal foi com tristeza que assistimos à sua ausência da lista final de vencedores.

Ainda que as características do concurso possam explicar este desfecho, sentimos que o pastel de Tentúgal IGP (Indicação Geográfica Protegida) merecia uma outra divulgação e tratamento. Cumpre esclarecer que, por decisão da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a Confraria da Doçaria conventual de Tentúgal foi recusada como parceira em todo o processo.”

Apesar de todas as críticas quanto ao ‘valor’ técnico, à faturação telefónica, aos pagamentos por inscrição e à comercialização de livros e eventuais outros produtos, a verdade é que este evento faz ‘mexer’ populações, confrarias e até autarquias. E com este ‘tipo’ de divulgação e mobilização na área da gastronomia este é, provavelmente, o melhor programa da televisão portuguesa. Porque, até ver, tem sido o único.

7 Maravilhas

A empresa EIPWU, Lda é a entidade detentora dos direitos exclusivos da marca 7 Maravilhas® e 7 Maravilhas de Portugal ®.

Já foram promovidas, para além das já referidas, relacionadas com Gastronomia, as seguintes edições:
Em 07.07.2007, a Declaração Oficial das ‘Novas 7 Maravilhas do Mundo’ realizada em Portugal, levou à eleição paralela das ‘7 Maravilhas de Portugal’.

Em 2009 foram eleitas as ‘7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo’. Em 2010 as ‘7 Maravilhas Naturais de Portugal’. Em 2012 as ‘7 Maravilhas – Praias de Portugal’ e em 2017, as ‘7 Maravilhas de Portugal – Aldeias’.
Em 2014 foram escolhidas as ‘7 Maravilhas Naturais de Angola’, através de uma votação via sms que decorreu ao longo de 10 meses.