Arte Xávega da Costa da Caparica já é património cultural imaterial

Desde 16 de Fevereiro que a arte xávega praticada na Costa da Caparica faz parte do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Considerando o seu valor cultural, económico e turístico, a Câmara Municipal de Almada apresentou, junto da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), a candidatura de inscrição desta técnica de pesca artesanal no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Agora, o município almadense congratula-se por esta pesca tradicional praticada na Costa da Caparica fazer parte, desde 16 de Fevereiro, do referido Inventário e pode, assim, considerar-se desde essa data, Património Cultural Imaterial.

Recorde-se que esta técnica de pesca, praticada também em outras regiões do País, foi levada para a Costa da Caparica por comunidades piscatórias de Ílhavo e Olhão, responsáveis pelo povoamento do lugar.

Adaptando-se às praias e ao mar da Costa da Caparica, a Arte-Xávega adquiriu características específicas que a distinguem de práticas semelhantes utilizadas em outras regiões do País.

A Arte-Xávega ainda hoje pode ser acompanhada ao fim da tarde, nas praias da Costa da Caparica e Fonte da Telha.

A Arte Xávega

A palavra xávega provém do étimo árabe xábaka, que significa rede. Tenso em conta a origem da palavra, sabe-se que a denominação xávega começou por ser usada pelos pescadores do sul de Portugal.

4.1Trata-se de uma pesca artesanal feita com rede de cerco e o seu equipamento é composto por um longo cabo com flutuadores, tendo na sua metade de comprimento um saco de rede em forma cónica (xalavar). Antigamente a recolha era feita com a ajuda de juntas de bois e força braçal, mas atualmente usa-se a tração mecânica, com recurso a tratores.

O xalavar é colocado no mar, longe da costa, por uma embarcação que vai desenrolando a metade do cabo, ficando uma das pontas do mesmo em terra. Os pescadores efetuam o cerco aos cardumes de peixe no mar e retornam à praia desenrolando a outra metade do cabo para a sua extremidade.

A recolha do xalavar por tração animal e força braçal terminou em finais da década de 70 na Costa da Caparica. Atualmente, em Portugal a xávega é efetuada por meios mecânicos.

Fotos: Junta de Freguesia da Costa da CaparicA

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *