Arroz de Castanhas

Antes da introdução da batata na dieta alimentar dos povos da Península Ibérica, a castanha constituía a base da alimentação das populações, sobretudo as rurais. Por isso, ainda hoje se encontram soutos disseminados por todo o território nacional. Todavia, pela sua fertilidade natural, o Ribatejo produz uma grande variedade de espécies comestíveis, nomeadamente em termos hortícolas, e, por essa razão, a área dedicada aos castanheiros é muito menor do que noutras zonas do País. Não é, pois, de estranhar que uma das receitas típicas do Ribatejo seja confeccionada com castanhas secas, oriundas de regiões grandes produtoras de castanhas, as castanhas piladas, cuja capacidade de conservação compensa a pouca abundância do fruto fresco.

O Arroz de Castanhas era um prato tradicionalmente consumido na Sexta-Feira Santa, dia em que os católicos se coibiam de comer carne, mas cujos componentes eram suficientemente nutritivos para alimentar uma família entregue aos trabalhos duros do campo. Já o arroz tem uma presença significativa na dieta dos ribatejanos, pois as margens dos rios que atravessam as suas terras, pela facilidade com que são alagadas, permitem a cultura dessa gramínea, que é, aliás, um dos alimentos mais populares em Portugal.

Ingredientes

15-10,5 kg castanhas piladas; 300 g de arroz; 1 ou 2 den¬tes de alho; 1 fio de azeite; água e sal.

Preparação

Na véspera, põem-se de molho as castanhas piladas. Depois de bem demolhadas, colocam-se numa pane¬la com água, sal, um fio de azeite, um ou dois dentes de alho esmagados e deixam-se cozer. Cerca de dez minutos antes de terminar a cozedura, juntam-se 300 g de arroz, que se deixa cozer, mas sem ficar empapado. Come-se bem quente.
Harmonização vínica

Para acompanhar este prato, escolha um vinho tinto da Região Tejo, ainda jovem e sem estágio em madeira. Um vinho sem complexidade para comple¬mentar um prato simples.

O texto e a receita aqui apresentados e a foto final do «Passo a Passo» estão publicadas no Livro «Os Sabores da Nossa Terra» pela Associação para a Promoção Rural da Charneca Ribatejana.

A foto que acompanha este texto resulta do empratamento feito pela Escola Profissional de Salvaterra de Magos, após confeção de acordo com a receita tradicional.

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