Aproveitamento dos desperdícios da produção de vinho

Peles, grainhas e engaços das uvas podem ser usados como conservantes alimentares, fertilizantes ou cosméticos.

Investigadores da universidade americana do Nebraska-Lincoln consideram que os desperdícios gerados pela produção de vinho são um recurso rico em antioxidantes naturais, que poderá ser usado em cosméticos, para fazer óleos, produtos farmacêuticos e conservantes para alimentos.

A equipa do investigador Changmou Xu tem trabalhado com biólogos para tentar descobrir se os componentes das peles, grainhas e caules (engaço) dos cachos de uva podem ser eficazes contra bactérias que contaminam os alimentos, como a “E. coli” e a “salmonella”.

O desafio é conseguir que os restos das uvas utilizadas na produção de vinho possam ser usados como conservantes alimentares, fertilizantes ou cosméticos em vez de serem fonte de poluição da água, defendem investigadores reunidos nos Estados Unidos.

Changmou Xu afirmou que os desperdícios produzidos anualmente pela indústria vinícola podem ser nocivos para o ambiente, uma vez que os pesticidas e adubos usados nas culturas contaminam os solos e as águas subterrâneas.

Além disso, grandes concentrações de peles, grainhas e caules atraem pragas, afirmou.

 

Combustível

Em 2016 a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) anunciou estar a desenvolver um biocombustível sólido resultante do aproveitamento de desperdícios de engaço e bagaço de uva, podas da vinha e de olival e de dejectos animais. Segundo a universidade, instalada em Vila Real, o projecto tinha na altura um pedido provisório de patente e prevê a produção de soluções de aquecimento como “pellets”, briquetes e estilha, compostos por desperdícios e subprodutos resultantes de exploração agropecuária.

“Quisemos desenvolver um biocombustível sólido, com elevado poder calorífico, com vista não apenas ao aproveitamento sustentável de desperdícios e subprodutos agropecuários, mas também [para] contribuir para a redução do consumo de energia primária através de fontes de energia renovável, em detrimento dos combustíveis fósseis”, afirmou, em comunicado, o responsável pela investigação, Amadeu Borges.

 

O processamento da uva na produção de vinho gera 25% de resíduos sólidos. Em concreto, segundo dados da Organização Internacional de Vinho (OIV), 100 kilos de uva geram 25 kg de desperdício, entre os quais 50% são as peles da uva, 35% os caules e 15% as sementes.

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