AMPV/Arruda dos Vinhos

“O legislador deveria olhar com outros olhos para o setor cooperativo”

2André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, mostra-se preocupado com “os pequenos produtores que poderão num futuro próximo ficar muito desprotegidos”.

No âmbito das comemorações do 10º aniversário da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), que se assinala a 30 de abril, o Jornal dos Sabores vai publicar semanalmente uma entrevista com autarcas dos municípios fundadores desta associação intermunicipal.
Para a primeira edição, as respostas às nossas perguntas são de André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos.

Que balanço faz dos 10 anos da AMPV?

É um balanço necessariamente positivo. Como entusiasta que sou do Associativismo municipal/intermunicipal, uma rede de partilha de experiências, de programação e de trabalho conjunta é com certeza uma plataforma que apresenta mais-valia para a promoção de um produto de excelência que é o vinho português, e agregado a ele, a promoção da gastronomia e do território no seu todo, com a inerente alavancagem.

Que importância atribui ao produto vinho/gastronomia na oferta turística nacional?

É uma importância crescente. O vinho português hoje é sem dúvida um dos grandes embaixadores além fronteiras de Portugal. Pelos números que mais conheço, da CVR de Lisboa, o volume de exportações em vinho, no ano de 2016 cifrou-se na casa dos 50 milhões de euros, ou seja, são números impressionantes e que representam uma taxa de crescimento altíssima quando comparado com o nível de exportação de há 10 anos atrás por exemplo. Quer melhor embaixador do território do que uma garrafa em cada uma de 20 milhões de mesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo?

No setor do vinho há algo que o preocupe a nível nacional?

Sobre esta matéria diria que acompanho com muita apreensão algumas dificuldades que se vão sentindo sobretudo no setor cooperativo. De facto preocupa-me bastante a ideia de ver o sistema cooperativo em dificuldades e o inerente risco que esta situação representa sobretudo para os pequenos produtores que poderão num futuro próximo ficar muito desprotegidos. A nível regulatório e legal, não obstante estarmos em presença de um mercado competitivo e concorrencial, creio que o legislador deveria olhar com outros olhos para o setor cooperativo, estabelecendo alguns sistemas de incentivo e canalizando alguns fundos comunitários para a modernização sob pena de poder ser tarde de mais.

Que opinião tem sobre o serviço de vinhos nos restaurantes em Portugal atualmente?

Ao nível da Oeste CIM e da CVR Lisboa, temos tentado sensibilizar a AHRESP e os distribuidores (inclusive através de carta subscrita por todos) para a necessidade de os operadores colocarem nas suas cartas de vinhos os vinhos portugueses e sobretudo os vinhos da região de Lisboa. Não parece compreensível como é que com a atratividade turística que neste momento Portugal e sobretudo Lisboa têm, seja tão difícil num restaurante encontrar vinho português e sobretudo da região. É um mau serviço que se presta ao país e à economia nacional.

Que importância atribui ao produto vinho/gastronomia na oferta turística do seu concelho?

É uma importância central, por isso temos desenvolvido eventos onde temos procurado alavancar esses setores de atividade. Recentemente inclusivamente com uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, que aproveito para publicamente agradecer e felicitar, foi possível podermos promover os vinhos em plena Rua Augusta e no Mercado da Ribeira. A gastronomia que Arruda tem para oferecer é um produto de excelência reconhecido na região, no país, e diria também internacionalmente. Mérito exclusivo dos nossos empresários locais que trabalham afincadamente todos os dias e com muita qualidade, à Câmara cabe apenas não “estorvar” e incentivar sempre que é preciso. Temos procurado fazer um trabalho próximo deste setor e com muito bons resultados.

O que oferece o seu concelho, especificamente na área do enoturismo?

Neste momento sentimos que algumas entidades privadas e a própria cooperativa estão já a olhar para este tema com outros olhos e como uma oportunidade de novo negócio. Creio que atualmente a oferta ainda é insuficiente e não está organizada. O Município de Arruda dos Vinhos criou recentemente o Conselho Económico Estratégico e um dos objetivos que temos com este fórum em que estão representadas todas as forças vivas com potencial nesta área é precisamente termos uma estratégia para estruturar esta oferta, de modo a que possa ser competitiva neste mercado “às portas de Lisboa”. Estão a ser dados alguns passos, mas ainda há aqui muito caminho a fazer.

E quanto à oferta gastronómica?

Aqui o cenário muda radicalmente de figura pois dos setores mais pujantes que Arruda tem é de facto a restauração/gastronomia conforme se referiu anteriormente. A oferta gastronómica no concelho de Arruda dos Vinhos é tão rica e variada que se torna muito complicado estar aqui a identificar situações concretas. Quem nunca ouviu falar do célebre bacalhau que se serve em Arruda? Felizmente hoje não é só o bacalhau, temos de facto uma oferta riquíssima para todos os gostos e bolsos, mérito, não me canso de o referir de todos os empresários e trabalhadores deste setor que trabalham sempre, mais e mais, e com uma enorme qualidade.

Que outros produtos turísticos destaca para além do vinho e da gastronomia?

Temos a componente dos Desportos de Aventura e ar livre, com destaque para além do pedestranismo, BTT, o voo livre (parapente e asa delta, onde o Vale Encantado de Arruda apresenta condições naturais extremamente favoráveis), temos os Fortes das Linhas de Torres, absolutamente preponderantes nas invasões francesas, a Academia de Dressage e um vasto conjunto de outras ofertas na área do hipismo, equitação, tauromaquia, um património imaterial muito vasto também (com destaque para a Bruxa de Arruda, a erva Arruda e o seu misticismo), e hoje em dia um conjunto de eventos muito significativos de índole cultural diversa e que são grandes atrativos, poderia falar, apenas para citar alguns exemplos, o Mercado Oitocentista, da Festa da Vinha e do Vinho, da Feira Rural, do festival de cinema rural mais urbano de Portugal (Curt’Arruda), e da Festa em Honra de N.ª Senhora da Salvação.

Qual o seu prato preferido? E o vinho para o acompanhar?

Como bom português, o meu prato preferido é bacalhau cozido com batatas, grão e um ovo cozido a acompanhar, tudo devida e cautelosamente acompanhado com um vinho de Arruda, pois com certeza!

Breves notas sobre Arruda dos Vinhos

– O Concelho de Arruda situa-se a cerca de 30 km a norte de Lisboa numa zona de confluência entre o oeste, o ribatejo e a região saloia, às portas da capital.

– Guilherme Cardoso e José D’ Encarnação concluem com grande probabilidade que a origem do topónimo Arruda derive de rota (grande e importante itinerário) «Arruda dos Vinhos» era «a rota dos vinhos»! Ali se produziam, é certo; mas era, sobretudo, por ali que eles passavam.

– De acordo com o Censo de 2011 este concelho contava com uma população de 13.391 habitantes. O Concelho de Arruda dos Vinhos tem vindo a registar um crescimento populacional contínuo, verificando-se entre 2001 e 2011 um aumento de 29,3%.

– A 2, 3 e 4 de junho 2017 realiza-se o ‘Mercado Oitocentista’, com o tema: Arruda do séc. XIX celebra os tempos de D. Manuel I.
Em novembro de 2017 realiza-se a 20ª edição da «Festa da Vinha e do Vinho» de Arruda dos Vinhos.

– Através do troço da A10 Arruda/Carregado, o Concelho de Arruda dos Vinhos passou a estar ligado a quase todo o país por autoestrada, o que permite a todos os visitantes deslocações mais rápidas e cómodas.

Mais em: www.cm-arruda.pt

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *