Ainda o vinho nas campanhas anti-alcool

GNR informou Jornal dos Sabores da «Operação Baco» e deputado Duarte Pacheco alerta ministro Capoulas Santos para a possibilidade de nova campanha, com imagem de vinho tinto.

Na edição da passada semana o Jornal dos Sabores colocou em destaque a notícia da utilização, na página de Facebook da Guarda Nacional Republicana (GNR), de um copo de vinho tinto como imagem de uma campanha de alerta para os perigos da condução sob o efeito do álcool.

Para além de solicitar depoimentos sobre o assunto a José Calixto, presidente da RECEVIN – Rede Europeia de Cidades do Vinho e da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Vasco d’Avillez, presidente da Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa, Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, Mário Louro, reconhecido enólogo e formador.

Foi, igualmente, pedida uma declaração sobre o mesmo assunto à GNR, cujo Gabinete de Imprensa nos enviou a seguinte resposta, dirigida ao Diretor.

“Relativamente ao assunto em título, informo-o que a problemática da condução sob efeito de álcool, mais especificamente quando a sua ingestão não é comedida, torna-a numa das principais causas de sinistralidade grave (mortos e feridos graves) nas nossas estradas, a par com o excesso de velocidade.

Dados de 2015 apontam que, um em cada três condutores mortos em acidentes de viação, conduzia com uma taxa ilegal de álcool no sangue, relevando aqui a gravidade da condução sobre efeito do álcool, induzindo automaticamente na GNR, como primordial missão do seu cariz de prevenção e fiscalização rodoviária, a redução do número de vítimas na estrada.

Como reforço desta preocupação, a GNR tem inclusive uma operação dirigida especificamente para a temática da condução sob o efeito do álcool, denominada Operação Baco*.
(*sublinhado da nossa responsabilidade)

1-2Em termos de crimes e infrações relativas ao álcool, a GNR registou desde o início deste ano e até à data:

· 8 829 detenções por condução sob o efeito do álcool
· 22 639 infrações por condução com taxa de álcool no sangue superior ao permitido por lei.

Segue em anexo a imagem da nossa campanha rodoviária subjacente ao tema da condução sob efeito do álcool “A decisão de quem o leva a casa é sua”.
1-1
Ora se a mensagem e a imagem da campanha referida não coloca diretamente em causa qualquer tipo de bebida, já o mesmo não se pode dizer da denominação «Operação Baco», já que esta divindade romana é universalmente associada ao vinho (e não ao álcool).
O importante papel da GNR no combate à sinistralidade causada pela condução com excesso de alcool não deveria ser «beliscado» por uma comunicação que faz do vinho, normalmente tinto por ter mais impacto visual, a principal (senão única) suspeita “de crimes e infrações relativas ao álcool”.

Deputado Duarte Pacheco faz apelo a ministro Capoulas Santos

O Deputado Duarte Pacheco do Grupo Parlamentar do PSD dirigiu a palavra ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, sobre uma campanha que a Autoridade da Prevenção Rodoviária estará a preparar no sentido de sensibilizar para o problema do condução sob o efeito do álcool, em que vai ser utilizada a imagem de um copo de vinho tinto.

Na fase final da sua intervenção o deputado referiu que “não é o vinho tinto o maior protagonista do alcoolismo na condução. São outro tipo de bebidas, muitas delas importadas.

Esta campanha, se for para a frente, mais uma vez prejudica um setor importante e a economia nacional. Solicito os seus bons ofícios para que essa imagem seja alterada a bem do setor vitivinícola.”

2 thoughts on “Ainda o vinho nas campanhas anti-alcool

  1. A culpa , todos sabemos isso, não é do vinho mas sim de quem o bebe em demasia e se analisarmos bem o tipo de excessos que se pódem cometer, muitos haverá igualmente perigosos para a condução e que concerteza não são objecto de campanhas de descrédito.Porquê então vitimar o vinho , um produto de cujo consumo dependem literalmente milhares de postos de trabalho no nosso país?Há que haver ponderação.

  2. Realmente não é só o vinho, pois uns simples bombons com recheio de licor, podem levar a uma taxa de álcool elevada. E nunca apurei se a história do “cozido à portuguesa” é verdadeira…
    De qualquer modo, mesmo em tribunal há a tendência para se penalizar quem bebe bebidas alcoólicas, e a lei proíbe, e por motivos óbvios, é o consumo de bebidas alcoólicas em exagero. Como para tudo, há que ter moderação. Eu acho que em vez de apresentarem um copo de vinho, fariam uma campanha mais válida, se apresentassem as quantidades de cada bebida, que levam a uma taxa de álcool excessiva.

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