//A castanha e o castanheiro

A castanha e o castanheiro

Nesta época do ano é difícil resistir ao «apelo» das castanhas assadas, cozidas ou, cada vez mais, a acompanhar um prato tradicional ou de confecção moderna.

São em número cada vez maior os certames dedicados à castanha, reflexo de uma crescente importância que este fruto ganha, de novo, nas economias locais.

Mas quando se gosta verdadeiramente de algo, gosta-se, igualmente, de conhecer melhor o «objecto do desejo».
É isso que lhe propomos hoje, com algumas informações curiosas sobre a castanha.

A castanha é o fruto de uma árvore de grande porte, de folha caduca, que pode atingir mais de um milhar de anos de idade.

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio
A castanha frutifica das flores femininas que estão agrupadas em 2 ou 3 no interior de uma cápsula espinhosa, a que se dá o nome de “ouriço”. Depois da maturação completa, o ouriço abre em 4 partes, desprendendo o fruto que tanto pode ser em número de 1, 2 ou 3.

A árvore floresce de finais de Abril a Junho e os frutos amadurecem entre finais de Setembro e Novembro. Aos 8-10 anos o castanheiro já dá fruto, no entanto só depois dos 20 é que a frutificação passa a ser um fenómeno regular.

Desde tempos remotos que o castanheiro é conhecido na Península Ibérica, havendo indícios de existir no território português desde há muitos séculos, pelo que é considerada uma espécie indígena. Contudo, há quem pense que tenha sido introduzida na Península Ibérica durante a época dos romanos.

Por volta de 1838, o território português foi invadido por um fungo (Phytophora cambivora Petri), causador da doença vulgarmente denominada de Tinta dos Castanheiros. Foram muitas e extensas as áreas que sucumbiram ao nefasto poder da “tinta”, cujo nome se deve à cor negra que o tronco adquire por baixo da casca, quando a árvore é atacada.

Esta espécie sempre foi utilizada para produzir madeira de excelente qualidade, o castanho, ou para alimentar pessoas e animais. O seu fruto (a castanha) formou, juntamente com o trigo, a cevada e o centeio, a base da alimentação em Portugal até ao séc. XVII.

Depois, chegou a batata e… isso é outra história.