A 6 de janeiro de 2015, morreu Filipa Vacondeus, aos 81 anos.

inSvsEEm 2015 faleceram dois dos mais populares cozinheiros portugueses. Filipa Vacondeus e Chefe Silva não eram apenas «mediáticos». Eles eram também, pelas suas capacidades sociais, muito queridos dos seus muitos milhares de admiradores.

A 6 de janeiro de 2015, morreu Filipa Vacondeus, aos 81 anos.

Foi hospedeira da TAP e proprietária do Cota de Armas, um restaurante de luxo em Alfama. Ao aceitar um convite de Maria Elisa, então diretora de programas da RTP, tornou-se conhecida como figura da televisão e até lhe chamavam a «senhora dos restinhos» por insistir nas receitas de baixo custo e na necessidade de evitar desperdiçar o que sobra das refeições.

Mas o sucesso disparou quando Herman José se inspirou nela para criar a cozinheira que usava “imensa paprika” no programa «O Tal Canal». Ingrediente que, curiosamente, Filipa não usava.

Chegava a todo o país e aos nossos emigrantes através da RTP. Em maio do ano passado, no canal 24 Kitchen apresentou o programa “À Boleia de Filipa”, ao lado de Filipa Gomes.

Marcava presença em palestras, integrava o júri de concursos de gastronomia e deixou muitos livros de culinária, ao primeiro dos quais, lançado em 1994 com o título Cozinhar é Fácil, se seguiram outros como: Receitas Low-Cost; Os Truques da Filipa; As grandes receitas das famílias; O Trivial e Viver mais e melhor. O último livro que Filipa deixou foi Os Petiscos de Filipa, lançado em 2013.

Tinha sempre um sorriso para oferecer e adorava sentir as pessoas, à sua volta, felizes.

Em 14 de Outubro de 2015 faleceu o Chefe Silva.

Com o nome curto e simples de António Silva, nasceu em Caldelas a 29 de março de 1934, mas como foi registado após o prazo legal, ficou com data de nascimento de 5 de abril, para que o pai não pagasse multa.

A insatisfação com a qualidade das refeições na cantina da RTP Porto levou ao pedido de apoio à Escola de Hotelaria e Turismo, que enviou, para o efeito, o Chefe Silva. As caraterísticas de comunicador que já evidenciava e os conhecimentos de cozinha portuguesa demonstrados, abriram-lhe as portas para o programa «Culinária 75», tornando-se o primeiro Cozinheiro a fazer um programa de televisão em Portugal.

No programa Grafonola Ideal de Júlio Isidro, fez a rubrica «Caçarola Ideal» e em outubro de 1976 saiu o primeiro número da Teleculinária, uma revista que chegou a vender mais de 250 mil exemplares por semana.

Foi cozinheiro em Moçambique e convidado de ventos gastronómicos em Portugal. Foi autor de inúmeros livros de receitas, confrade de honra de mais de duas dezenas de confrarias e integrou o júri de centenas de concursos de gastronomia em Portugal.

Guardava na carteira um pequeno papel, dobrado, onde se lia: “Um homem sem dinheiro é um teso. Sem amigos é um desgraçado”.

Não era, de todo, «um desgraçado».

Fotos: Homenagem da Adega Cooperativa de Palmela, em 2012.

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